III Simpósio Internacional de Administração e Marketing apresenta cultura de negócios na América Latina e um intenso debate sobre Convergência de Culturas
11 de dezembro de 2008Até que ponto a convergência das culturas é importante para o modo de administrar, no mundo globalizado? As culturas estão convergindo ou divergindo? Essas foram questões apontadas pelo professor Illan Avrichir, mediador do painel “Cultura de Negócios na América Latina”, durante o último dia do III Simpósio Internacional de Administração e Marketing e V Congresso de Administração da ESPM, realizado em 10 de dezembro.
O painel contou com os professores da Fundação Getúlio Vargas, Maria Ester de Freitas, e Miguel Caldas; da FIA, Alfredo Behrens; e da diretora de pesquisa do Centro de Altos Estudos da ESPM (CAEPM), Lívia Barbosa. Para Maria Ester, FGV, o mundo dos negócios está cada vez mais atento para a questão das diferentes culturas entre os povos. Segundo ela, esse aspecto tem em sua base uma questão pragmática. “As diferenças culturais podem significar perdas em números, e é este ponto que torna o tema relevante para as empresas” falou.
Para fundamentar suas colocações, Maria Ester apresentou seu trabalho de pós-doutorado sobre brasileiros expatriados na França, tanto em empresas brasileiras quanto francesas. Behrens seguiu a mesma linha da professora, porém ponderou um ponto importante, para ele antes das diferenças culturais, existem as questões sociais e, essas sim, podem representar um certo problema para a questão da administração. “A convergência de culturas é muito mais lenta do que pode imaginar.
As questões sociais sim são um problema, pois somente 3% ou 4% da população mundial é realmente globalizada, com condição de conhecer o mundo. O restante é em sua imensa maioria nacional”, afirmou. Já Lívia Barbosa relativizou a questão da convergência de culturas, lembrando que as culturas nacionais são formadas por elementos homogêneos e heterogêneos. Ela apresentou pesquisa, realizada em parceria com a pesquisadora da ESPM Letícia Veloso sobre políticas de diversidade em alguns países da América Latina.
O objeto de estudo focou a visão dos altos executivos expatriados em relação a outras culturas, contemplando, de forma comparativa grandes empresas no Brasil e de outros países latino-americanos, como México e Chile. O estudo mostra como o modo de administrar brasileiro é visto como pouco afeito ao conflito, e marcado, entre outros aspectos, pela aproximação pessoal e dificuldade de lidar com críticas diretas.
Miguel Caldas, da FGV, fechou o painel afirmando que podemos encontrar o estrangeiro dentro da própria população brasileira. Apesar de uma história marcada por uma tendência homogeneizante, com a construção de uma identidade nacional única, a observação da realidade indica fortes tendências de heterogeneidade, com ênfase de características regionais, e hibridização, com a criação de novos padrões culturais, que aliam traços regionais, nacionais e globais.
Ao final o Diretor Nacional de Graduação em Cursos de Administração da ESPM, Marcos Amatucci, encerrou o Simpósio e o Congresso, com uma observação geral sobre o tema central do evento. “O modo latino-americano de administrar é ainda desconhecido. Foi muito bom ver pesquisadores de renome apresentar seus trabalhos para discutir essa questão”. finalizou.














